PAPEL EM BRANCO

Velho hábito de pegar numa caneta
olhando o desafiador
papel em branco
e escrever
as palavras com sentido dos sentidos.

Fazê-lo tantas vezes como um hino
pairando devagar
entre cúmulos enormes
de um céu de trovoada.

E esperar
a alquimia de me libertar
da chuva de cadeias
e de peias
que se tecem em longas teias
de vestido.
Tecido como uma pele colada à pele
encharcando de memória
o meu destino.
.....
Talvez amanhã me vá sentar na Brasileira
e num segundo fugaz numa cadeira
encontre o meu eu
um tanto já esquecido.
Isabel, Março de 1992


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