PAPEL EM BRANCO
Velho hábito de pegar numa caneta olhando o desafiador papel em branco e escrever as palavras com sentido dos sentidos. Fazê-lo tantas vezes como um hino pairando devagar entre cúmulos enormes de um céu de trovoada. E esperar a alquimia de me libertar da chuva de cadeias e de peias que se tecem em longas teias de vestido. Tecido como uma pele colada à pele encharcando de memória o meu destino. ..... Talvez amanhã me vá sentar na Brasileira e num segundo fugaz numa cadeira encontre o meu eu um tanto já esquecido. Isabel, Março de 1992